5 de dezembro de 2013

Abrir a última página do livro

Postado por Fabio Ritter

Quem nunca, ao estar lendo um livro, resolveu pular para a última página por curiosidade para descobrir antecipadamente o desfecho da história? A história do apressado come cru certamente se aplica aqui, por estragar todo o enredo e o objetivo da leitura de um livro. Isso também pode se aplicar ao futebol e a nossa posição de goleiro. Como assim?? – pode se perguntar o blogoleiro. Explicarei porque.

A partida de ontem entre Ponte Preta e Lanús, válida pela final da Copa Sulamericana, teve dois gols de falta, dos quais podemos tirar algumas lições.

O primeiro gol, o do Lanús, remete a história contada no primeiro parágrafo. O bom goleiro Roberto, da Ponte, quis pular para a última página do livro, ao não esperar a trajetória da bola para decidir seu movimento. O goleiro, ao contrário, resolveu cobrir a barreira antes mesmo de enxergar a bola. Fez uma aposta e se deu mal. Isto porque a bola acabou indo no seu canto e assim o pegou no contrapé, sem explosão para defender.

As cobranças de falta nesta posição são sempre muito difíceis para o goleiro. Em primeiro lugar, não se vê a bola devido a grande quantidade de jogadores na frente do goleiro. Depois, o posicionamento do goleiro não é o ideal, pois ele fica fora da bissetriz do ângulo entre os postes e a bola. Apesar da barreira inversa corrigir este problema, ela ainda não é usada por muitos goleiros que preferem o método tradicional.

No segundo gol da partida, o da Ponte, o goleiro Marchesín, do Lanús, não tenta adivinhar o lado da cobrança. No entanto, por sofrer do mesmo mal de não enxergar a bola, ele fica sem reação quando vê a mesma encobrir a sua barreira e cair no seu cano direito. Aqui, acho que uma barreira inversa poderia ter resultado em uma melhor sorte para o goleiro. A falta era mais distante do que a do Lanús e assim um chute forte no canto do goleiro seria menos perigoso.

De toda forma, o que se tira destes gols é que ambas as bolas foram difíceis de serem defendidas. A de Roberto, no entanto, pode ser colocada na conta do goleiro, por ter sido no canto dele. E não está errado. Por isso, vale sempre a máxima de garantir a sua, que é não deixar o seu lado desprotegido. Caso a bola entre por cima da barreira, é mérito do batedor. Ou seja, não pule para a última página do livro, que não terás problema.