12 de agosto de 2011

Artigo: Goleiros e Exercícios Resistidos com Peso “musculação”

Postado por Fabio Ritter

Confira abaixo o artigo produzido pelo preparador de goleiros do C.E.Lajeadense – Lajeado – RS, Cleber Sgarbi, sobre o polêmico tema da musculação para goleiros.

Goleiros e Exercícios Resistidos com Peso “musculação”

Exercício de agachamento com barra

Nos últimos anos o futebol evoluiu muito, mais ainda, a ciência esportiva, e é nesse sentido que trago um tema bem interessante a todos que trabalham na área. Treinamento físico com atletas de futebol, em particular, treino físico para goleiros – Exercícios Resistidos com Peso ou Contra-resistência, mais conhecido por “musculação”.

De acordo com Leme (1992, p. 71), “os aumentos relevantes da prática dos exercícios com pesos tem sido considerados significativos nos últimos anos. Entretanto, a musculação é uma atividade física muito importante para a obtenção de força e sua manutenção.”

O conceito de que treinamento de musculação produz enrijecimento dos músculos e perda de flexibilidade, pode ser deletado. A maioria dos estudos científicos, comprovam que a velocidade de movimento pode ser aprimorada como consequência do aumento da força muscular.

A potência muscular é aumentada em decorrência do treinamento de força, e maior potência da musculatura das pernas, significa saídas mais rápidas nas situações que exigem agilidade e velocidade.

No futebol moderno, (aliás, sempre foi assim), dentro da preparação física, a força e a velocidade se destacam, não basta o goleiro ser rápido e ágil, tem que ter uma musculatura potente para ser capaz de prevenir as ações ofensivas dos adversários.

Dentro da preparação física de goleiros de alto rendimento, nos referimos a várias capacidades físicas e entre elas, a que mais se destaca, é a força. Em suas distintas formas, a força explosiva é a que mais se destaca em suas ações no jogo.

Ao analisarmos a definição de potência em nível físico (Pot = t / t), onde t= trabalho e t= tempo, ou ainda, (t = f x d), ou seja, trabalho é = a força x deslocamento. Logo temos a equação: Pot = F x V, ou seja, Força x Velocidade = POTÊNCIA.

BOMPA (2004, p. 3) define: a potência é produzida por uma contração do tipo alongamento-encurtamento na qual o músculo extensor adquire uma ótima firmeza, aumentando a tensão no tendão. Esses resultados acontecem em uma fase excêntrica mais econômica e eficaz além disso, durante o alongamento do músculo as atividades de reflexo proporcionam a maior ativação possível durante uma contração voluntaria, novamente aumentando a tensão do tendão e junto com um impulso nervoso durante a fase concêntrica, produzem uma impulsão potente.

De acordo com Carraveta (2001, p. 126), “o grau de manifestações de força do futebolista é fator indispensável para a definição das cargas. O treinamento deve ser conduzido quase exclusivamente pelo uso de cargas próximas da máxima com poucas repetições e execução explosivas de movimentos.”

Segundo Platonov (2003), a quantidade de repetições é determinante pela magnitude da carga empregada, ou seja, quando a carga for baixa permite um número maior de repetições, quando a carga for alta, a capacidade de repetições diminui.

Em particular, gosto muito do exercício de agachamento com barra, por que é um exercício ótimo para as pernas quando feito adequadamente. Esse exercício trabalha os músculos da coxa – Vasto lateral, Vasto intermédio, Vasto medial, Reto femoral, Bíceps femoral, Semitendinso, Semimembranoso e o glúteo máximo.

Sempre que faço um trabalho de força (80 – 90% c.máx.), vou para o campo fazer a transferência, assim desenvolvo a Força Explosiva, deixando o musculo mais potente. E quando faço a transferência no campo, utilizo as técnicas defensivas específicas de suas ações, assim atendo as exigências físicas e técnicas específicas necessárias aos goleiros. Neste sentido, o treinamento fica muito mais coerente e produz melhor resultado.

Percebemos que a “musculação” não é um “monstro”, mas um recurso muito importante para desenvolver, aprimorar e manter certo nível de força muscular.

Referências:

LEME, Marcos A. de Almeida; Revista de Ciência e Tecnologia; Fatores determinantes para o aumento da força muscular e os benefícios da musculação. São Paulo; 1992, pág. 71, 73 e 74.

BOMPA, Tudor. O Treinamento de potência para o esporte: Pliometria para o desenvolvimento máximo de potência. São Paulo; Editora Phorte, 2004, pág. 3, 21 e 22.

CARRAVETA, Elio; O jogador de futebol – técnica, treinamento e rendimento. Porto Alegre: Mercado Aberto, 2001, pág. 48, 126 e 128.

PLATONOV, Wladimir Nicolaievitch: A Preparação Física. Rio de Janeiro; Editora Sprint, 2003, pág. 59, 67 e 70.